quinta-feira, 7 de julho de 2011

Para ti...

...Os amores são como as escritas...duram o tempo que duram até desistirmos delas...tive sem amores até ao momento em que me voltaste a despertar o gosto pelo dom que me foi concedido...e digo isto sem qualquer preconceito, sem qualquer tentativa de ser humilde. Porque a humildade para nós não é mais que uma palavra sentida no peito que doi quando não te amo...quando não te escrevo...
...Daqui a uns dias vou tatuar todo o meu corpo com amor e por isso te agradeço e...te faço uma vénia...

Obrigado
pelos estranhos olhares que nunca cruzámos
pelas palavras que nunca dissemos um ao outro

pela inibição que sempre existiu entre mim e a tua própria pessoa

que é bem mais que aquilo que via espelhado nos teus doces olhos

para mim és a minha escrita
não te amo
mas és um dos meus amores
porque mo conseguiste devolver...

assim sem ser novo nem velho...nem ter de crescer ...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

o teu sorriso

sorri para mim 10 vezes...20...trinta em extenso
porque aquilo que tu és é aquilo que eu
nada penso...
só sinto
e aquilo que me é mais proxímo é aquilo que eu deveras
por veras e veritas
minto...

esfrega-em as costas
dá-me a mão
chama-me assim gnomo
e principe anão

dá-me estalos
escreve cambalhotas com x
e diz-me 30 vezes que me adoras
até as buriais
se transformarem em auroras ...
e eu ...

eu...

...levo estalos...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A forma falsa de te amar

A forma de escrita que me satisfaz
é tão falsa
como a pessoa perfeita que nos faz
falta...
é como uma melancólica alegoria ditada por um deus maior
és tu, mais eu, mais aquele que paira em nosso redor

és uma filha da alma
filha de um translúcido e lúcido encosto de ditames
que não são para cumprir

és filha do corpo que me penetra
me envolve e me faz assim como que
sentir...

Mais do que a escrita falsa e mentirosa
mais do que eu, tu e aquele que nos prosa
estão uns versos
que não tem classificação adjectival
porque são verdadeiros no fim de contas
e afinal...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

a sopa

O prato onde comemos a sopa de todos os dias
é um prato raso sem fundo...
é o sitio onde crescemos para lá de fora da terra...do...
A leveza com que se foi não nos dá mais nada a não ser pão à boca
essa mais que maluca ...essa...
a traição. como ela é. instituida. não foi o que senti.
mas sinto-me algo golpejado por farpas de madeira mais ou menos afiadas
e pontiagudas.
Corre-me sangue, mas não sei por onde ele me sai.
São milagres senhor! são milagres!...aqueles por que tanto esperei.
são beijos que não te dou hoje porque algum dia já tos dei.

Depois de um verso simples...vem uma estrofe baralhada de ser tão dificilmente enraivecida.
A raiva faz mal.
A raiva contida é:
- Um Impedimento solene de tornar a minha face mais afável ao próximo dissabor.

E agora?
Agora...coloco uma tijela de massa ao lado do meu prato de sopa...
troco um pelo outro
e tenho finalmente o meu verdadeiro amor.

Gr

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O meu filho em ti

Achas que a perfeição não se mede pela quantidade de vezes que eu te beijei?
Diz-me se não tiveste arrepios pelo corpo cada vez que te abracei...

Leva-me para um rio gélido e lava-me a cara
o corpo
tira-me todos os pedaços de amor
que ficaram
porque não te quero mais
quero saber quantas vezes eu te beijei para escrever num papel
quero saber quantas vezes me desejaste
para eu contabilizar
todas as vezes que fui amado e não abusado.
quero que escrevas dez vezes que não me amas
para eu nunca me esquecer de tal feito
quero que seja tudo escrito
num contrato celebrado com pompa e circunstância
porque daqui a 100 anos eu morro
e não te quero para mãe da minha infância.

A energia parental que em mim corre
é suficiente para te manter viva
mas não suficiente para criar um filho dentro de ti...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Solidão

Será que a solidão se soma?
se divide
se multiplica?
será que daqui a um ano estarei mais só que hoje?
será que daqui a um ano pensarei que já passei por este sitio que hoje pensei que há um ano já tinha passado por ele?...
Será?
Será que posso pensar em coisas diferentes do habitual sem pensar que estou a errar ...só para ser feliz
será um dia de cada vez
para viver assim fortemente como quem o diz...

O olhar vazio e fúnebre de alguém contrastando com o olhar vazio e lívido...são no fundo a mesma coisa
O almoço com a família é tão perto de mim como a minha mão que janta sozinha...

A tristeza forçada é mais dura que aquela que vem por etapas,
A solidão voluntária é mais leve que aquela que me é forçada
a minha cabeça é tão fascinante
e tão no mesmo ser complexa e complexada...

e então?
rio
choro
amargo
de boca
sem secura
e assim se faz um desabafo
sem grande amargura
assim se revela mais um pouco daquilo que não se conta a ninguém
porque se tem vergonha
assim se traz um pouco de felicidade sem rede
aquele momento que passou por nós há um ano
que é exactamente igual ao de hoje
quando o pensámos na altura
assim se traz mais um pouco de sede
à minha boca sem secura
...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Telhados de vidro

Depois de algo que vem atrás de mim estará sempre alguém que já me passou à frente
na conjugação parva de verbos soltos está a minha nação
eu.
chuto-me enrolado em cocaína vermelha
e perco-me ali...um pouco mais ao fundo...
estás a ver?
levanta mais a cabeça. Estás quase lá
Ergue-te
e dança
como se não te estivesses a molhar por não teres nada a cobrir-te
vem
vem aqui para o pé de mim
abraça-me com toda a força do teu pulso reumático
e deixa-me sentir-te.

Enxuga-te
que estás molhada.
Choveu-te em cima toda a tua vida
e agora?
Agora...seca-te e diz-me qual a sensação
Pavoneia-te como se de uma cadela com o cio se tratasse este momento
e diz-me
diz-me qual é o teu perante mim
o sentimento...