terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O meu som

A nossa zona de conforto é aquela em que julgamos estar todos os dias...
aquela que nos faz feliz
aquela que nos dá as alegrias e as tristezas
a vontade
a ambição
a certeza de que jamais saíremos de lá
para outro lugar
que não seja em redor ...

até que encontramos aquele vazio no estomago
aquele sorriso miudinho que nos levanta da cama ainda ensonados
a espera
a surpresa
aquela que poderia ser minha mãe e não é
aquela que te é agora o destino
e a outra a incerteza...

Não esperava mais nada de uma vida já regada de prazeres mundanos e boémias avassaladoramente imaginárias
até que se fez silêncio e dei por mim
a pensar em ti ...

O silêncio do pensamento é tão forte em mim que as minhas mão não conseguiram escrever mais nada ...menti-te
menti ...menti...
e voltei a mentir outra vez
menti
para te proteger
menti
sobre os sons que vinham do meu coração
porque o meu silêncio
não é mais que o meu som
em ti...
e até nisso eu me enganei
e não te menti...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Ansiedade

Tem dias em que nem todas as ciências do mundo
explicam a minha ansiedade
tem dias em que o medo de me ficar é tão grande
que nem vou.

Faço tudo tão apressadamente com a urgência de aproveitar todos os momentos que me fingem escapar como se algum dia tivesse a oportunidade de os viver.
A minha cabeça imagina histórias felizes outras mais ou menos turvas, outras que nem sequer se passam ...ao meu lado...

A vida tal e qual como um abafo no peito um desabafo no estômago, uns olhos bem abertos na escuridão do quarto...um fetiche realizado à última hora, um acto de lascividade que nos fica na memória como algo que nunca aconteceu...um calafrio na espinha cada vez que penso no que devia...ter...ser...poder...dizer...

...um silêncio impedioso permanece quando tento contactar com alguém que até poderá ser a mulher da minha vida. e assim fico.
entre a espera e a ausência de pensamento...
entre um espaço vazio e um momento...

um sindrome de cada minuto mal resolvido em que se espera algo mais do que aquilo que demos ...tudo de nós verdade?
um último suspiro que não nos preenche o pulmão ... e viver com a ansiedade?
porque não?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

as verdades

a última vez que percebi quem era, tinha uma cábula que me ajudou
agora que uso a minha memória selectiva
não sei onde estou
não permaneco ligado por raízes de árvores tombadas
não sei se me enervo sozinho ou se tenho ajuda
não me dêm presentes dêm-me chapadas
...suaves de luva branca
saquem-me o dinheiro
mas não me tirem a droga.

---> apontem-me pistolas e matem-me tantas vezes como num jogo de computador...
porque a minha vida é formada por ciclos mais ou menos perfeitos
porque nunca conheci ninguém como eu...com tão poucos defeitos...
...e ...tão poucas qualidades ...

um dia vou olhar para trás e vou-me lembrar se algum dia a minha vida foi
constituida por verdades...

até lá.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Para ti...

...Os amores são como as escritas...duram o tempo que duram até desistirmos delas...tive sem amores até ao momento em que me voltaste a despertar o gosto pelo dom que me foi concedido...e digo isto sem qualquer preconceito, sem qualquer tentativa de ser humilde. Porque a humildade para nós não é mais que uma palavra sentida no peito que doi quando não te amo...quando não te escrevo...
...Daqui a uns dias vou tatuar todo o meu corpo com amor e por isso te agradeço e...te faço uma vénia...

Obrigado
pelos estranhos olhares que nunca cruzámos
pelas palavras que nunca dissemos um ao outro

pela inibição que sempre existiu entre mim e a tua própria pessoa

que é bem mais que aquilo que via espelhado nos teus doces olhos

para mim és a minha escrita
não te amo
mas és um dos meus amores
porque mo conseguiste devolver...

assim sem ser novo nem velho...nem ter de crescer ...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

o teu sorriso

sorri para mim 10 vezes...20...trinta em extenso
porque aquilo que tu és é aquilo que eu
nada penso...
só sinto
e aquilo que me é mais proxímo é aquilo que eu deveras
por veras e veritas
minto...

esfrega-em as costas
dá-me a mão
chama-me assim gnomo
e principe anão

dá-me estalos
escreve cambalhotas com x
e diz-me 30 vezes que me adoras
até as buriais
se transformarem em auroras ...
e eu ...

eu...

...levo estalos...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A forma falsa de te amar

A forma de escrita que me satisfaz
é tão falsa
como a pessoa perfeita que nos faz
falta...
é como uma melancólica alegoria ditada por um deus maior
és tu, mais eu, mais aquele que paira em nosso redor

és uma filha da alma
filha de um translúcido e lúcido encosto de ditames
que não são para cumprir

és filha do corpo que me penetra
me envolve e me faz assim como que
sentir...

Mais do que a escrita falsa e mentirosa
mais do que eu, tu e aquele que nos prosa
estão uns versos
que não tem classificação adjectival
porque são verdadeiros no fim de contas
e afinal...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

a sopa

O prato onde comemos a sopa de todos os dias
é um prato raso sem fundo...
é o sitio onde crescemos para lá de fora da terra...do...
A leveza com que se foi não nos dá mais nada a não ser pão à boca
essa mais que maluca ...essa...
a traição. como ela é. instituida. não foi o que senti.
mas sinto-me algo golpejado por farpas de madeira mais ou menos afiadas
e pontiagudas.
Corre-me sangue, mas não sei por onde ele me sai.
São milagres senhor! são milagres!...aqueles por que tanto esperei.
são beijos que não te dou hoje porque algum dia já tos dei.

Depois de um verso simples...vem uma estrofe baralhada de ser tão dificilmente enraivecida.
A raiva faz mal.
A raiva contida é:
- Um Impedimento solene de tornar a minha face mais afável ao próximo dissabor.

E agora?
Agora...coloco uma tijela de massa ao lado do meu prato de sopa...
troco um pelo outro
e tenho finalmente o meu verdadeiro amor.

Gr