segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

As pedras da calçada



Trauteio as pedras da calçada,
anseio,
respiro, 
olho, 
e o que vejo;
a ti,
sempre a ti, 
só a ti.
sempre a ti, 
só a ti...
a ti, por ti...só a ti. 

é tal a permanência da tua imagem na minha mente 
que pergunto se é real 
se existes mesmo 
ou se és vitima de um sonho profundo,
se pertences sequer a este mundo. 

quando a luz da cabeceira se apaga 
estás na minha almofada
quando o sol se levanta 
estás no meu sorriso 
quando tudo o resto se desvanece 
é de ti que o meu desprendimento não esquece...

sacudam-me que estou dormente há não sei quantos dias...
estalos!
deem-me estalos, que a fonética linguagem do teu olhar mata-me aos poucos 
e a leveza do teu despertar no meu corpo tolda-me os sentidos...e baralha-me os tempos verbais

...e quando a vontade de um semblante carregado se transformar em risos desmedidos 
é aí que tu finalmente me escutas...

 

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