quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

 

Tanto

 

Deste-me tanto…

E eu tirei-te tão pouco

Daquilo que era teu e que não era oco.

 

Deste-me tanto …daquilo que não pedi

E sem querer (ou não) também te ofereci.

 

…A lividez excessiva nas palavras escritas torna-nos frios…

 

Deste-me tanto daquele sabor agridoce

Que era teu

Que era meu

Que era talvez de quem quer que fosse

 

Tirei-te aquele pesar olhar que me olhava cada vez que entrava à tua porta

Tirei-te aquele sorriso pouco aberto que era certo cada vez que te via

Tirei-te tanta coisa que não a roupa, essa que era tão pouco necessária entre nós

Tirei-te amarras e nós

Tirei-te aqueles momentos inolvidáveis que nunca serão repetidos

Tirei-te amor, cor, dor e sentimentos sentidos.

 

Dei-te tanto mais do que te tirei, sem querer

Dei-te tanto daquilo que me permiti

Dei-te muito de ti a mim

E muito de mim a ti…

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sevilhanas

As falsas pretensas de filhas oferendas de amores perdidos
São mais fáceis de limar que os cantos de uma mesa com caruncho.
São camas Senhor, são camas
Onde elas se deitam
E sonham com outras rameiras menos rameiras que elas próprias
e...
Desvelam-se todas perante o pudor
Esse o tal e singelo amor.

São falsas Sevilhanas a dançar ao som de um fado
Esse mal amado,
Esse fingido,
Esse falso amor dorido,

E no fim
Ficas tu...
A olhar o palco abandonado.
Sem ninguém com quem falar
Sem ninguém para chamares de amor amante ou amado.
E ainda assim...resta-te aquele sorriso voraz no canto da boca
e os olhos mergulhados no vidrado  da felicidade
porque o amor vai ...vem ...volta...e regressa outra vez
Sempre que é de verdade...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A visão turva

Não me lembro de ti da forma que eras
não me lembro de ti nem do que de mim esperas...
espero ...espero ...anseio e espero mais um pouco
se não te quero agora, sempre te vou querer como um tal de Louco.
Não sei se a tua imagem desfocada e turva será do tinto
não sei se algum dia vou voltar a beber-te.
Não sei sequer se quero uma noite como a de ontem...
porque para mim é sempre ontem
e no dia anterior a ontem
havia uma memória não lembrada
de uma noite mal passada...

Será que me entendes
será que me gostas
será que me esqueces assim?
Será que todas as memórias que tenho de ti morrem por fim?

Faço um esforço imenso para não te esquecer
ainda assim a sorte está do meu lado
e tu tornas-te um mero calor abafado...
tornas-te com aquele hífen que teimas em não usar
porque o presente é mais forte que tu
e se ainda assim não tens raiva suficiente para me esquecer...

esquece ...e vamos viver...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O metro 



O silêncio ensurdecedor dos carris tolda-me a mente
E quem espera que a manhã seja interrompida por uma mentira?

Posso passar?…Acordas-me tu com um toque íntimo.
Olhei para ti e com os meus olhos suguei-te.
Esforcei – me ao máximo para que lesses o meu pensamento.
Tocava-te na perna em cada lancil dos carris…e ainda assim não ris…

Em desespero mandei-te uma mensagem disfarçada de telemóvel
Ainda assim permaneceste imóvel…

Mesmo na escuridão do túnel eu permaneci de olhos abertos e, quando os fechei tu ainda estavas lá.

Bafejei o vidro e desenhei uma rosa,
Para ver se a minha escrita transformaria os meus poemas em prosa.
O frio do Inverno teima em apagar a minha flor,
Antes que tu a contemples.
Bafejei o meu coração.
O soslaio do teu olhar riu,
Levantou-se,
E saiu…
Na paragem dos Olivais,

nem tive tempo para um adeus, au revoir …até mais…

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Touro Manso

Faz um período que não convém dizer...que conheci uma pessoa que me tirou a escrita
a tristeza
a beleza
aquilo que vai rimar com a última palavra deste verso
e a dádiva que os deuses igualmente me recusaram...e que aguarda uma decisão superior

Faz um dia que conheci uma pessoa que me trouxe tudo de volta
e fez-me acreditar no condicionamento do infinito
esse maldito

Não quis acreditar que uma sensação não pode ser apagada uma vez sentida
não quis acreditar que a vida uma vez vivida era vivida repetidamente sem descanso.

E se um dia o touro é bravo
No outro dia ele é manso...

Não é pensado, não é refletido
é uma colagem de um vidro primeiro rachado e depois evidentemente partido.

O excesso de adjectivos definem a minha pretensa dificuldade em criar.

é assim como que uma busca incessante por palavras e sons que definem a própria pessoa
que te espalha magia pela assunção da alma
que já não é aquela que te magoa
mas aquela que te dá descanso...que te acalma.
que te faz inspirar e...
GR
(continua)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Compasso Poético


Faltam 5 minutos para sair de casa a abandonar tudo aquilo que me é familiar ...
simplesmente porque quero e, posso e, derivo disso para viver.
Não sei se quando sair pela porta da frente recuarei até à cobardia e voltarei a entrar pelas traseiras sem ninguém me ver.
Não me parece.
Apesar de sentir que algo me prende tão fortemente que deixava de viver tudo o que me prometi
só para te ter aqui.

Soa a música foleira este compasso poético.

Inspiro, travo, olho o mar e volto a mim...


...o sentimento de amor ...seja ele de onde for...é rídiculo, fogaz, amargo, delicioso, ternurento, calmo, patético, sem grande sustentação social...
O que é o amor então afinal?
uma conversa?
uma dádiva?
um perdão?
um sorriso?
Esse sorriso que me ficou na memória mesmo quando me queimo no quente da água do chuveiro.
Esse rasgar de olhos que teima em ser meu companheiro ...
cada vez que penso em ti...num compasso pateticamente poético...

Nada que escrevo é tão perfeito como a falta de palavras que descrevem a lembrança constante da tua pessoa...
Nada é tão perfeito como o momento de paz em que me esqueco de ti depois de te recordar ...

Nada seria tão perfeito como poder dizer-te todos os dias o que te disse um dia, sem depois de ti me afastar...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O desprendimento

De todos os sentimentos que já experienciei na minha vida e na dos outros
o desprendimento é a arma mais forte que consegui alcançar para me livrar do mal
LIVRAI-ME DO MAL disseram eles um dia ...
Livrai-me de tudo e deixai-me a meditar num retiro vazio de conteúdo e de forma
direi eu da próxima vez que tiver de decidir entre o tudo e o nada
porque para além do amor ...
há a pessoa amada...
e essa merece o respeito que eu lhe quiser dar
porque não há nada para além do querer e do amar...


Parece lamechas,
mas troquem a fúria por dó
e o que tens no nariz por pó
e já se torna num ambiente mais lascivo
e se eu quero
eu posso
eu vivo!


Assim sem regras nem normas
sem leis nem compromissos...
porque depois de tanto amor...
tanta ansiedade
tanto aperto no coração
tanta raiva...
tanto tormento...
o meu amanhecer foi de desprendimento...