sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Lavrar a terra

 Tenho saudades de ter saudades 

Saudades sentidas 

Aquelas que nos fazem tonturas

Curas

Terras mexidas pelo Lavradio da vida

Aquela voz púrpura que nos toca o sino, o sono e nos bafeja como a fada dos dentes

Tenho saudades da meditação ofegante de não ter mais nada em que pensar a não ser na tontura

Que cura

Tenho saudades da paz agonizante que era amar-te

Tenho vertigens em nunca mais olhar para ninguém como olharia para ti num futuro que não existe

Tenho terras por lavrar

Coisas por dizer, 

Mãos por sujar 

Espaços por ocupar

E ainda assim continuo a viver como se nada se tivesse passado. Foi. 

Foi cura 

quinta-feira, 10 de abril de 2025

 Penso em ti, mesmo quando estás comigo 

Penso como gostaria que não estivesses 

Para poder ter as saudades

 que teria 

Se estivesse perante ti.

terça-feira, 1 de abril de 2025


 Hienas



Há um silêncio decesso em cada uma das frases que dizemos 

Há um manto de hienas sorridentes cada vez que nos tocamos 

e no entanto 

nos amamos



sexta-feira, 28 de março de 2025

 Trouxeram - me todas as belas adormecidas deste mundo 

Beijei-as uma a uma até os meus lábios ficarem inchados e os meus sentidos petrificados de tamanha desilusão,

Por nada ter acordado.

Porém tu,

Tu continuavas ali de olhos abertos a meu lado...

sexta-feira, 14 de março de 2025

 Enlouquecem de amor os poetas

Enlouquecem de amor as freiras

E tu meu amor, 

Tu és louca!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

 Por vezes invento coisas 

Para inventar formas

De te dizer coisas 

Que de outra forma, se transformarão 

Na simples ausência de não te dizer nada...


 Amendoeiras em flor


Que as palavras banais da voz não se tornem em frases comuns

Em Nós.

Que a palavra escrita seja o nosso amparo.

Cremos em Nós 

Que o nosso olhar seja mais do que a vida

Que tu e eu sejamos uno

Sejamos Nós 

Que todas as noites sejam de aconchego 

Entre Nós.

Que eu te olhe e me diga que chego 

Que as amendoeiras em flor sejam o nosso futuro

Que as rugas tomem conta de nós 

Que o suspiro invertebrado da nossa respiração 

Seja música ou canção em colcheia de dó 

E que nos acompanhe sós

Os dois só.

Como Nós.